Friday, April 24, 2015

Corinna Kern Fotografa a Vida de Transsexuais Sul-Africanas









Mama Africa Transsexuais Sul-Africanas



Corinna Kern é uma fotojornalista nascida da Alemanha. Seu projeto mais recente captura a vida de pessoas transgênero no Cabo Oriental, África do Sul. Trabalhando com uma ONG chamada S.H.E. (Social, Health and Empowerment Feminist Collective of Transgender and Intersex Women of Africa), Kern passou seis semanas de 2014 documentando o cotidiano de seus personagens.


Ela descobriu que, embora a área seja propensa a crenças heteropatriarcais nas quais aqueles que não se conformam às normas de gênero tradicionais podem ser considerados "não africanos", as transgêneros documentadas por ela, em sua maioria, podiam viver livremente suas identidades, dando às fotos uma sensação de celebração e empoderamento.

Falamos com Kern sobre a experiência.


Mama Africa Transsexuais Sul-Africanas

Como surgiu o projeto "Mama Africa" ? Isso era um interesse pessoal seu ?

Sou fascinada por expressões de gênero não conformistas. Vindo de um lugar onde as pessoas podem se expressar muito livremente, tenho procurado explorar as realidades das pessoas LGBTI sujeitas à discriminação e à violência, o que acontece muito nas comunidades de cor.

Inicialmente, considerei ir a lugares como Uganda, onde uma nova lei antigay foi aprovada no final de 2013, tornando atos homossexuais puníveis com prisão perpétua. Mas, quando fiquei sabendo sobre os desafios que as pessoas LGBTI enfrentam na liberal África do Sul, apesar de sua constituição ser uma das mais progressistas do mundo, esse tópico se tornou mais interessante e relevante para mim.

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Quais os personagens mais interessantes que você conheceu ?

Todos que conheci através do projeto eram interessantes de um jeito próprio: as histórias eram tão diferentes que seria difícil escolher. Em termos de origem do documentário, fiquei intrigada com Mama Africa, a pessoa que deu nome ao projeto. Vinda de uma área rural onde papéis tradicionais de gênero moldam a vida das pessoas, Mama Africa está em plena conformidade em seu papel de mulher, cujas principais atividades são limpar, cozinhar, buscar água, buscar madeira para o fogo e cuidar das crianças. Foi interessante ver como a ambiguidade e a fluidez do gênero se manifestam num contexto africano tradicional baseado em gêneros binários.

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Como você descreveria a vida das pessoas trans na África do Sul ?

A África do Sul é um lugar desafiador e, às vezes, perigoso para os transgênero. Especialmente em cidades e comunidades rurais, onde homossexuais e transgênero são vistos sob um forte estigma social. Noções heteropatriarcais entranhadas na cultura africana consideram a expressão de gênero não conformista "não africana", frequentemente obrigando os indivíduos a seguirem os padrões da sociedade. No entanto, durante meu projeto, cruzei com muitas pessoas transgênero que eram totalmente aceitas pela família e pela comunidade. Depois de ler muito sobre as questões que cercam as pessoas transgênero durante minha pesquisa, essa foi uma surpresa positiva e encorajadora, que espero que abra caminho para a realidade de pessoas transgênero em toda a África do Sul.

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Qual o maior desafio que as pessoas transgênero ainda enfrentam na África do Sul ?

Violência baseada em gênero, por exemplo, é um fenômeno generalizado que não afeta apenas os transgêneros, mas as comunidades LGBTI no geral. E os casos frequentemente não são denunciados, porque as vítimas têm medo de revelar seu gênero ou orientação sexual para a polícia, o que pode desencadear homofobia institucionalizada. Muitas mulheres transgênero que entrevistei experimentaram discriminação em delegacias, onde seus casos não foram processados ou investigados.

Barreiras similares de estigma ou comportamento abusivo se aplicam a serviços de saúde, assim como acesso a educação, emprego e moradia. Isso geralmente leva a uma situação socioeconômica problemática na qual prostituição e sexo transacional são consequências comuns, fazendo com que as mulheres transgênero não consigam sair da pobreza.

Por último, mas não menos importante, a rejeição da família, dos amigos e das comunidades é um grande – se não o maior – desafio para as pessoas transgênero, especialmente dentro de um contexto coletivista e em uma cultura orientada para a família. Muitas vezes, isso obriga as pessoas a escolherem entre se conformar com sua cultura ou com sua identidade de gênero – dois aspectos essenciais que moldam a vida e a identidade do indivíduo, ainda frequentemente incompatíveis na democrática África do Sul.

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Como essas fotos podem ajudar ? O que mais precisa acontecer para melhorar a vida dessas pessoas na África do Sul ?

Acredito que a conscientização forma a base das mudanças sociais. Nesse contexto, a fotografia pode ser usada como linguagem universal e ponte cultural, com o potencial de avançar o entendimento da situação das pessoas transgênero. Espero que meu projeto inspire uma mudança na visão contemporânea da identidade africana, em oposição ao que a sociedade exige. Como meios de educação, tenho considerado exposições com abertura para diálogo e [a hipótese de] convidar o público, assim como os indivíduos fotografados, para falarem sobre suas experiências.

É fácil discriminar algo que não se entende ou com que não se está familiarizado; então, acredito que educação sobre diversidade de gênero pode atuar como um veículo importante de mudança social e deve ser implementada nas comunidades e instituições públicas como delegacias, serviços de saúde e sistemas de educação. ONGs podem ter um papel importante nisso.

Tradução: Marina Schoor



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Friday, April 10, 2015

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